Bloqueio criativo e dicas para cultivar sua criatividade
A criatividade não é um dom reservado a poucos escolhidos; ela é uma função natural da vida. No entanto, muitas vezes nos vemos diante de um muro invisível: o bloqueio criativo. Para superá-lo, precisamos primeiro entender que a arte não nasce do esforço intelectual bruto, mas da liberdade de sentir.
O bloqueio criativo nada mais é do que uma interrupção no fluxo de comunicação entre nós e nossa essência. Ele acontece quando o medo de errar se torna maior do que o prazer de criar. Ficamos paralisados porque focamos obsessivamente no resultado (será que vai ficar bonito? será que vão gostar?) e esquecemos de confiar no processo.
A crítica e o julgamento interno são os maiores inimigos da criatividade. Quando nos tornamos nossos próprios censores, matamos a ideia antes mesmo dela ganhar cor.
Em sua obra clássica "O Caminho do Artista", Julia Cameron nos apresenta uma distinção fundamental para compreendermos nossas travas internas:
O Cérebro Lógico: É o nosso lado categórico, ordenado e linear. Ele é responsável pela nossa sobrevivência e segurança. É o lar do nosso Censor Interno — aquela voz que diz: "Isso é perda de tempo" ou "Você não tem talento para isso"ou ainda “ Você não consegue” Ele pensa em termos de certo ou errado.
O Cérebro do Artista: Este é o nosso lado holístico, o nosso inventor e a nossa criança interior. Ele é associativo, livre e sensorial. Ele não pensa em palavras, mas em imagens, sons, gostos e cheiros. É aqui que reside a magia e os nossos melhores impulsos criativos.
A linguagem da arte é a imagem e o símbolo. Como bem pontua Cameron, para criar, precisamos mergulhar no poço das nossas experiências. Se o poço estiver seco, a arte não flui.
Nutrir o reservatório artístico significa alimentar o cérebro do artista com estímulos sensoriais. Como a arte nasce da atenção, o ponto crucial é o olhar curioso aos detalhes. Precisamos "encher o poço" com novas imagens, fugindo do habitual e do conhecido.
"A criação de algo novo não é realizada pelo intelecto, mas pelo instinto de brincar, agindo por uma necessidade interior. A mente criativa brinca com objetos que ama." — Carl Jung
Para resgatar sua autonomia criativa, experimente estas práticas:
Mistério, não Maestria: Pare de tentar ser "mestre" em algo logo de início. O mistério atrai e instiga, enquanto a obrigação da perfeição nos anestesia. Explore o que te intriga, o que te seduz, sem o compromisso de estar "certo".
Fuga do Hábito: Mude o caminho para o trabalho, experimente um sabor novo, observe a textura de uma folha. O cérebro do artista é alimentado pela novidade sensorial.
Meditação e Silêncio: Ao silenciar o barulho do Cérebro Lógico, abrimos espaço para que os sussurros do Cérebro Artista sejam ouvidos.
Atenção aos Detalhes: A arte é o exercício de ver o que todo mundo vê, mas de um jeito que ninguém viu. A curiosidade é o seu melhor pincel.
Lembre-se de que o seu Cérebro Artista é o seu refúgio. Ele é sensorial e lúdico. Ao abaixar o volume do seu censor interno e permitir-se brincar com os "objetos que ama", você perceberá que o bloqueio nada mais era do que um pedido da sua criança interior por um pouco mais de atenção e diversão.
A arte é o refúgio para os nossos melhores impulsos criativos. Não busque a perfeição, busque a presença.
Confie no processo. O resultado é apenas a pegada deixada pelo caminho que você percorreu.